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30 de Junho de 2022
  • 2º Grau
  • Repercussão Geral
  • Decisão de mérito
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Supremo Tribunal Federal STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO: RE 917285 SC

Supremo Tribunal Federal
há 2 anos

Detalhes da Jurisprudência

Órgão Julgador

Tribunal Pleno

Partes

RECTE.(S) : UNIÃO, RECDO.(A/S) : RENAR MOVEIS LTDA

Publicação

06/10/2020

Julgamento

18 de Agosto de 2020

Relator

DIAS TOFFOLI

Documentos anexos

Inteiro TeorSTF_RE_917285_87fea.pdf
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Ementa

EMENTA Recurso extraordinário. Repercussão geral. Normas gerais de Direito Tributário. Artigo 146, III, b, da CF. Artigo 170 do CTN. Norma geral em matéria de compensação. Compensação de ofício. Artigo 73, parágrafo único (incluído pela Lei nº 12.844/13), da Lei nº 9.430/96. Débitos parcelados sem garantia. Suspensão da exigibilidade do crédito (art. 151, VI, do CTN). Impossibilidade de compensação unilateral. Inconstitucionalidade da expressão “ou parcelados sem garantia”.

1. O art. 146, III, b, da Constituição Federal dispõe caber a lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Nesse sentido, a extinção e a suspensão do crédito tributário constituem matéria de norma geral de Direito Tributário, sob reserva de lei complementar. A compensação vem prevista no inciso II do art. 156 do CTN como forma de extinção do crédito tributário e deve observar as peculiaridades estabelecidas no art. 170 do Código Tributário Nacional.
2. O art. 170 do CTN, por si só, não gera direito subjetivo a compensação. A lei complementar remete a lei ordinária a disciplina das condições e das garantias, cabendo a lei autorizar a compensação de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo, observados os institutos básicos da tributação previstos no Código Tributário Nacional.
3. A jurisprudência da Corte já assentou que a compensação de ofício não viola a liberdade do credor e que o suporte fático da compensação prescinde de anuência ou acordo, perfazendo-se ex lege, diante das seguintes circunstâncias objetivas: (i) reciprocidade de dívidas, (ii) liquidez das prestações, (iii) exigibilidade dos débitos e (iv) fungibilidade dos objetos. Precedentes.
4. O art. 151, VI, do CTN, ao prever que o parcelamento suspende a exigibilidade do crédito tributário, não condiciona a existência ou não de garantia. O parágrafo único do art. 73 da Lei nº 9.430/96 (incluído pela Lei nº 12.844/13), ao permitir que o Fisco realize compensação de ofício de débito parcelado sem garantia, condiciona a eficácia plena da hipótese de suspensão do crédito tributário - no caso, o 'parcelamento' ( CTN - art. 151, VI)- a condição não prevista em lei complementar.
5. Recurso extraordinário a que se nega provimento, mantendo-se o acórdão em que se declarou a inconstitucionalidade da expressão “ou parcelados sem garantia”, constante do parágrafo único do art. 73 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 12.844/13, por afronta ao art. 146, III, b, da Constituição Federal.
6. Tese do Tema nº 874 de repercussão geral: “É inconstitucional, por afronta ao art. 146, III, b, da CF, a expressão ’ou parcelados sem garantia’ constante do parágrafo único do art. 73, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 12.844/13, na medida em que retira os efeitos da suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevista no CTN.”

Acórdão

O Tribunal, por unanimidade, apreciando o tema 874 da repercussão geral, negou provimento ao recurso extraordinário, mantendo-se o acórdão que declarou a inconstitucionalidade da expressão ou parcelados sem garantia, constante do parágrafo único do art. 73 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 12.844/13, por afronta ao art. 146, III, b, da Constituição Federal, e fixou a seguinte tese: "É inconstitucional, por afronta ao art. 146, III, b, da CF, a expressão ‘ou parcelados sem garantia’, constante do parágrafo único do art. 73 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 12.844/13, na medida em que retira os efeitos da suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevista no CTN", nos termos do voto do Relator. Falaram: pela recorrente, a Dra. Luciana Miranda Moreira, Procuradora da Fazenda Nacional; e, pela recorrida, o Dr. Silvio Luiz de Costa. Não participaram deste julgamento os Ministros Celso de Mello e Luiz Fux. Plenário, Sessão Virtual de 7.8.2020 a 17.8.2020.

Referências Legislativas

  • LEG-FED CF ANO-1988 ART- 00100 PAR-00009 PAR-00010 ART- 00102 INC-00003 LET- B ART- 00146 INC-00003 LET- B CF-1988 CONSTITUIÇÃO FEDERAL
  • LEG-FED LEI- 005172 ANO-1966 ART-00151 INC-00002 INC-00006 ART-00152 ART-00153 ART-00154 ART-00155 ART-0155A ART-00156 INC-00002 ART-00170 PAR- ÚNICO ART-0170A CTN-1966 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL
  • LEG-FED LEI- 008383 ANO-1991 ART-00066 LEI ORDINÁRIA
  • LEG-FED LEI- 009430 ANO-1996 ART-00073 PAR- ÚNICO INC-00001 INC-00002 ART-00074 LEI ORDINÁRIA
  • LEG-FED LEI- 010637 ANO-2002 ART-00005 PAR-00001 INC-00002 LEI ORDINÁRIA
  • LEG-FED LEI-000600 ANO-2005 LEI ORDINÁRIA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL SRFB
  • LEG-FED LEI- 011196 ANO-2005 ART-00114 LEI ORDINÁRIA
  • LEG-FED LEI- 012844 ANO-2013 LEI ORDINÁRIA
  • LEG-FED DEL- 002287 ANO-1986 ART-00007 PAR-00001 PAR-00002 DECRETO-LEI
  • LEG-FED INT-000021 ANO-1997 INSTRUÇÃO NORMATIVA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB
  • LEG-FED INT-000210 ANO-2002 INSTRUÇÃO NORMATIVA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB
  • LEG-FED INT-000460 ANO-2004 INSTRUÇÃO NORMATIVA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB
  • LEG-FED INT-000600 ANO-2005 INSTRUÇÃO NORMATIVA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB
  • LEG-FED INT-000900 ANO-2008 INSTRUÇÃO NORMATIVA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB

Observações

- Acórdão (s) citado (s): (FAZENDA PÚBLICA, COMPENSAÇÃO, EX OFFICIO) ADI 4357 (TP), ADI 4372 (TP), ADI 4400 (TP), ADI 4425 (TP). - Acórdão (s) citado (s) - outros tribunais: (FAZENDA PÚBLICA, COMPENSAÇÃO, EX OFFICIO) STJ: REsp 1213082. (COMPENSAÇÃO, EX OFFICIO, CRÉDITO TRIBUTÁRIO, PARCELAMENTO, SUSPENSÃO, EXIGIBILIDADE) STJ: REsp 997397, REsp 873799, REsp 491342. Número de páginas: 27. Análise: 30/03/2021, SOF.
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