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2 de Dezembro de 2021
2º Grau
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Supremo Tribunal Federal STF - HABEAS CORPUS : HC 80379 SP

Supremo Tribunal Federal
há 21 anos
Detalhes da Jurisprudência
Processo
HC 80379 SP
Órgão Julgador
Segunda Turma
Partes
PABLO RUSSEL ROCHA, SERGEI COBRA ARBEX, SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
Publicação
DJ 25-05-2001 PP-00011 EMENT VOL-02032-03 PP-00611
Julgamento
18 de Dezembro de 2000
Relator
CELSO DE MELLO
Documentos anexos
Inteiro TeorHC_80379_SP-_18.12.2000.pdf
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Ementa

HABEAS CORPUS - CRIME HEDIONDO - CLAMOR PÚBLICO - DECRETAÇÃO DE PRISÃO CAUTELAR - INADMISSIBILIDADE - PRISÃO CAUTELAR QUE SE PROLONGA DE MODO IRRAZOÁVEL - EXCESSO DE PRAZO IMPUTÁVEL AO PODER PÚBLICO - VIOLAÇÃO À GARANTIA CONSTITUCIONAL DO DUE PROCESS OF LAW - DIREITO QUE ASSISTE AO RÉU DE SER JULGADO DENTRO DE PRAZO ADEQUADO E RAZOÁVEL - PEDIDO DEFERIDO. A ACUSAÇÃO PENAL POR CRIME HEDIONDO NÃO JUSTIFICA A PRIVAÇÃO ARBITRÁRIA DA LIBERDADE DO RÉU

. - A prerrogativa jurídica da liberdade - que possui extração constitucional (CF, art. , LXI e LXV)- não pode ser ofendida por atos arbitrários do Poder Público, mesmo que se trate de pessoa acusada da suposta prática de crime hediondo, eis que, até que sobrevenha sentença condenatória irrecorrível (CF, art. , LVII), não se revela possível presumir a culpabilidade do réu, qualquer que seja a natureza da infração penal que lhe tenha sido imputada. O CLAMOR PÚBLICO NÃO CONSTITUI FATOR DE LEGITIMAÇÃO DA PRIVAÇÃO CAUTELAR DA LIBERDADE
. - O estado de comoção social e de eventual indignação popular, motivado pela repercussão da prática da infração penal, não pode justificar, só por si, a decretação da prisão cautelar do suposto autor do comportamento delituoso, sob pena de completa e grave aniquilação do postulado fundamental da liberdade. O clamor público - precisamente por não constituir causa legal de justificação da prisão processual (CPP, art. 312)- não se qualifica como fator de legitimação da privação cautelar da liberdade do indiciado ou do réu, não sendo lícito pretender-se, nessa matéria, por incabível, a aplicação analógica do que se contém no art. 323, V, do CPP, que concerne, exclusivamente, ao tema da fiança criminal. Precedentes. EXCEPCIONALIDADE DA PRISÃO CAUTELAR
. - A prisão cautelar - que tem função exclusivamente instrumental - não pode converter-se em forma antecipada de punição penal. A privação cautelar da liberdade - que constitui providência qualificada pela nota da excepcionalidade - somente se justifica em hipóteses estritas, não podendo efetivar-se, legitimamente, quando ausente qualquer dos fundamentos legais necessários à sua decretação pelo Poder Judiciário. O JULGAMENTO SEM DILAÇÕES INDEVIDAS CONSTITUI PROJEÇÃO DO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL
. - O direito ao julgamento, sem dilações indevidas, qualifica-se como prerrogativa fundamental que decorre da garantia constitucional do "due process of law". O réu - especialmente aquele que se acha sujeito a medidas cautelares de privação da sua liberdade - tem o direito público subjetivo de ser julgado, pelo Poder Público, dentro de prazo razoável, sem demora excessiva e nem dilações indevidas. Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Art. 7º, ns. 5 e 6). Doutrina. Jurisprudência
. - O excesso de prazo, quando exclusivamente imputável ao aparelho judiciário - não derivando, portanto, de qualquer fato procrastinatório causalmente atribuível ao réu - traduz situação anômala que compromete a efetividade do processo, pois, além de tornar evidente o desprezo estatal pela liberdade do cidadão, frustra um direito básico que assiste a qualquer pessoa: o direito à resolução do litígio, sem dilações indevidas e com todas as garantias reconhecidas pelo ordenamento constitucional. O EXCESSO DE PRAZO, NOS CRIMES HEDIONDOS, IMPÕE O RELAXAMENTO DA PRISÃO CAUTELAR
. - Impõe-se o relaxamento da prisão cautelar, mesmo que se trate de procedimento instaurado pela suposta prática de crime hediondo, desde que se registre situação configuradora de excesso de prazo não imputável ao indiciado/acusado. A natureza da infração penal não pode restringir a aplicabilidade e a força normativa da regra inscrita no art. 5º, LXV, da Constituição da República, que dispõe, em caráter imperativo, que a prisão ilegal "será imediatamente relaxada" pela autoridade judiciária. Precedentes.

Resumo Estruturado

PP1473 , PRISÃO PREVENTIVA, RÉU PRIMÁRIO, PACIENTE, PRIMARIEDADE, PRISÃO CAUTELAR, DECRETAÇÃO, IMPEDIMENTO, AUSÊNCIA, PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE NÃO-CULPABILIDADE, PRISÃO, ANTECIPAÇÃO CAUTELAR, INCOMPATIBILIDADE, AUSÊNCIA. PP3647 , PRISÃO PROVISÓRIA, SENTENÇA DE PRONÚNCIA, SUPERVENIÊNCIA, CONSEQÜÊNCIA, PRISÃO, SUBSITÊNCIA, PRISÃO CAUTELAR, PRISÃO PENAL, DISTINÇÃO. PP3714 , PRISÃO CAUTELAR, PRAZO, EXCESSO, OCORRÊNCIA, APARELHO JUDICIÁRIO, PRAZOS PROCESSUAIS, INOBSERVÂNCIA, PODER PÚBLICO, DEMORA, IMPUTAÇÃO, PACIENTE, FATOS, PROCRASTINATÓRIOS, ATRIBUIÇÃO, IMPOSSIBILIDADE, SENTENÇA DE PRONÚNCIA, RÉU, RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, INTERPOSIÇÃO, SEÇÃO DE JULGAMENTO, ADVOGADO, INTIMAÇÃO, AUSÊNCIA, DIREITO DE SUSTENTAÇÃO ORAL, OFENSA, (STJ), RECURSO, JULGAMENTO, RENOVAÇÃO, DETERMINAÇÃO, TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ), DECISÃO, CUMPRIMENTO, INOCORRÊNCIA, CONSTRANGIMENTO ILEGAL, INEXISTÊNCIA. PP3714 , PRISÃO CAUTELAR, PRAZO, EXCESSO, PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, OFENSA, ACUSADO, DIREITO DE RECORRER, EXERCÍCIO, MEDIDA PROCRASTINATÓRIA, CARACTERIZAÇÃO, AUSÊNCIA. PP3716 , PRISÃO CAUTELAR, CARÁTER EXCEPCIONAL, TUTELA PENAL CAUTELAR, DURAÇÃO, RAZOABILIDADE, OBSERVÂNCIA, NECESSIDADE. PN0342 , CRIME CONTRA A PESSOA, VIDA, HOMICÍDIO QUALIFICADO, NATUREZA, CRIME HEDIONDO, CLAMOR PÚBLICO, EXISTÊNCIA, PRISÃO CAUTELAR, REVOGAÇÃO, IMPEDIMENTO, AUSÊNCIA, ESTADO DE COMOÇÃO SOCIAL, INFRAÇÃO PENAL, NATUREZA, PRISÃO CAUTELAR, JUSTIFICAÇÃO, AUSÊNCIA. PN0342 , CRIME CONTRA A PESSOA, VIDA, HOMICÍDIO QUALIFICADO, LEI DOS CRIMES HEDIONDOS, RELAXAMENTO DE PRISÃO, COMPATIBILIDADE, (FUNDAMENTAÇÃO DIVERSA), (MINISTRO MARÇO AURÉLIO).

Doutrina

Referências Legislativas

Observações

Votação: Unânime. Resultado: Deferido. Acórdãos citados: RTJ-99/651; RTJ-121/601; RT-649/275; RT-662-347; HC-79857 (primariedade não exclui possibilidade de prisão cautelar); RTJ-133/280; RTJ-138/216; RTJ-141/816; RTJ-142/855; RTJ-142/878; RTJ-148/429; HC-68726 (Prisão cautelar não ofende a presunção de não-culpabilidade); RTJ-109/76; RTJ-122/45; RTJ-142/599; RT-611/431; RT-746/535; (Subsistência da custódia cautelar); RTJ-63/410; RTJ-138/829; HC-59223; HC-72412; HC-74106; HC-75158 (Excesso de prazo caracteriza constrangimento ilegal); RTJ-140/926; HC-67556; HC-70727; HC-71551 (Direito à sustentação oral); HC-80064; RHC-71954; RHC-79200; RTJ-157/633; (Excesso de prazo em crimes hediondos); RTJ-112/1115; RT-598/417; HC-71289; HC-78425; RHC-64420 (Clamor social não justifica manutenção da prisão cautelar); HC-76853 (Crime hediondo e julgamento em liberdade). Acórdão citado de outro Tribunal: RESP-67606. N.PP.:.(42) Análise:(FCB). Revisão:(CMM/AAF). Inclusão: 23/08/01, (MLR). Alteração: 07/02/06, (MLR).
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