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25 de Maio de 2022
  • 2º Grau
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Supremo Tribunal Federal STF - HABEAS CORPUS: HC 214976 SP 0118832-34.2022.1.00.0000

Supremo Tribunal Federal
há 12 dias
Detalhes da Jurisprudência
Partes
PACTE.(S) : WILLIAN JACKSON BISPO DOS SANTOS, IMPTE.(S) : NATAN TERTULIANO ROSSI, COATOR(A/S)(ES) : PRESIDENTE DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
Publicação
13/05/2022
Julgamento
11 de Maio de 2022
Relator
ROBERTO BARROSO
Documentos anexos
Inteiro TeorSTF_HC_214976_8e964.pdf
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Decisão

DECISÃO: Ementa: Processual penal. Habeas corpus. Tráfico de drogas. Prisão preventiva. Ordem concedida de ofício. 1. Inexistindo pronunciamento colegiado do Superior Tribunal de Justiça, não compete ao Supremo Tribunal Federal examinar a questão de direito suscitada na impetração. Precedentes. 2. A prisão preventiva de paciente primário, surpreendido com pequena quantidade de entorpecente, é contraproducente do ponto de vista da política criminal. 3. Habeas corpus a que se nega seguimento. Ordem concedida de ofício. 1. Trata-se de habeas corpus, com pedido de concessão de liminar, impetrado contra decisão que indeferiu liminarmente o HC 738.238, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 2. Extrai-se dos autos que o paciente foi preso em flagrante delito, em 22.04.2022, surpreendido com 3 porções de cocaína pesando 6,32 g, 6 g e 27,15 g. O Juízo da Vara de Plantão da Comarca de São José do Rio Preto/SP, com fundamento nos arts. arts. 310, II; 312; 313, I, e 315 do Código de Processo Penal, converteu a prisão em flagrante em preventiva. 3. Inconformada com a prisão, a defesa impetrou habeas corpus no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ/SP). Indeferida a medida liminar, sobreveio a impetração de HC no STJ. O Relator do HC 738.238, Ministro Humberto Martins, no exercício da presidência do STJ, indeferiu liminarmente o writ. 4. Neste habeas corpus, a parte impetrante alega ausência de fundamentação idônea para a decretação da custódia preventiva. Destaca que o paciente é primário, portador de bons antecedentes, possui residência fixa e emprego lícito, tendo sido surpreendido com pequena quantidade de droga. Daí o pedido de concessão da ordem a fim de revogar a prisão processual do acionante. 5. Decido. 6. Do ponto de vista processual, o caso é de habeas corpus substitutivo de agravo regimental (cabível na origem). Nessas condições, tendo em vista a jurisprudência da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), entendo que o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita ( HC 115.659, Rel. Min. Luiz Fux). 7. Inexistindo pronunciamento colegiado do STJ, não compete ao STF examinar a questão de direito implicada na impetração. Nesse sentido foram julgados os seguintes precedentes: HC 113.468, Rel. Min. Luiz Fux; HC 117.502, Redator para o acórdão o Ministro Luís Roberto Barroso; HC 108.141-AgR, Rel. Min. Teori Zavascki; e o HC 122.166-AgR, julgado sob a relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, assim ementado: “AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. VIOLAÇÃO AO ART. 422 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. DECISÃO MONOCRÁTICA PROFERIDA POR MINISTRO DO STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO POR MEIO DE AGRAVO REGIMENTAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PRECEDENTES. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA NÃO ATACADOS. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I - No caso sob exame, verifica-se que a decisão impugnada foi proferida monocraticamente. Desse modo, o pleito não pode ser conhecido, sob pena de indevida supressão de instância e de extravasamento dos limites de competência do STF descritos no art. 102 da Constituição Federal, que pressupõe seja a coação praticada por Tribunal Superior. Precedentes. II – O agravante não atacou os fundamentos da decisão agravada, o que atrai, por analogia, o teor da Súmula 283 desta Corte. III – Agravo regimental a que se nega provimento.” 8. Sem prejuízo desse encaminhamento, as peculiaridades do caso autorizam a concessão da ordem de ofício. 9. A prisão preventiva de paciente primário, preso preventivamente pelo tráfico de pequena quantidade de droga (39,47 g de cocaína no total), é contraproducente do ponto de vista da política criminal. Ademais, o mandado de prisão não apontou elementos concretos idôneos que evidenciem a real necessidade da custódia processual. Trata-se de decisão genérica, fundada sobretudo na gravidade abstrata do tráfico de drogas. Decisão que reconheceu expressamente, inclusive, a reduzida quantidade de droga e a primariedade do paciente. 10 . Nessas condições, considerando a reduzida quantidade de droga apreendida, e a primariedade do acusado, não encontro no decreto de prisão preventiva a demonstração, empiricamente motivada, dos requisitos previstos no art. 312 do Código de Processo Penal ( HC 109.449, Rel. Min. Marco Aurélio; e HC 115.623, Relª. Minª. Rosa Weber). 11 . Diante do exposto, com base no art. 21, § 1º, do RI/STF, nego seguimento ao habeas corpus. Contudo, concedo a ordem de ofício para permitir que o paciente aguarde o julgamento da ação penal, em liberdade, salvo se por outro motivo idôneo a segregação cautelar se fizer necessária, facultada a imposição das medidas cautelares diversas da prisão (art. 319 do CPP). Publique-se. Comunique-se, com urgência. Brasília, 11 de maio de 2022. Ministro LUÍS ROBERTO BARROSO Relator
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