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28 de Junho de 2022
  • 2º Grau
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Supremo Tribunal Federal
há 7 meses

Detalhes da Jurisprudência

Partes

RECLTE.(S) : TEC NEWS EIRELI - EPP E OUTRO(A/S), RECLDO.(A/S) : JUIZ AUXILIAR DE EXECUÇÃO DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 14ª REGIÃO, RECLTE.(S) : ALEXANDRE GOMES DE OLIVEIRA

Publicação

16/11/2021

Julgamento

11 de Novembro de 2021

Relator

ROSA WEBER

Documentos anexos

Inteiro TeorSTF_RCL_50371_714d2.pdf
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Inteiro Teor

Supremo Tribunal Federal

RECLAMAÇÃO 50.371 ACRE

RELATORA : MIN. ROSA WEBER

RECLTE.(S) : TEC NEWS EIRELI - EPP E OUTRO (A/S)

ADV.(A/S) : FELIPPE ROBERTO PESTANA

ADV.(A/S) : ANDREY CAVALCANTE DE CARVALHO

RECLDO.(A/S) : JUIZ AUXILIAR DE EXECUÇÃO DO TRIBUNAL

REGIONAL DO TRABALHO DA 14ª REGIÃO

ADV.(A/S) : SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS

BENEF.(A/S) : NÃO INDICADO

RECLAMAÇÃO. ARE 1.160.361. PROCESSO DE ÍNDOLE SUBJETIVA DO QUAL NÃO FIZERAM PARTE OS RECLAMANTES. AUSÊNCIA DE EFEITO VINCULANTE. UTILIZAÇÃO DA RECLAMAÇÃO COMO SUCEDÂNEO

RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE.

NEGATIVA DE SEGUIMENTO.

Vistos etc.

1. Trata-se de reclamação constitucional, com pedido de medida liminar, fundada nos arts. 103-A, § 3º, da Constituição Federal, e 156 a 162 do RISTF, ajuizada por Tec News Eireli - Epp e Outro (a/s) contra decisão proferida pelo Juízo Auxiliar de Execução do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região, nos autos do Processo nº 0000230-29.2016.5.14.0402, à alegação de afronta ao quanto decidido no ARE 1.160.361.

Os reclamantes relatam que foram notificados pelo Juízo Auxiliar de Execução do TRT-14ª Região, da instauração, de ofício, pelo Juízo de Primeiro Grau, de Incidente de Desconsideração de Personalidade Jurídica.

Afirmam que “a regra processual vigente veda a instauração, de Ofício pelo Juízo, de IDPJ, fato que macula por completo o procedimento que importa no ônus suportado pela empresa, afrontando as disposições constitucionais prescritas no arts. , II, LIV e LV, do texto constitucional com tese firmada pelo

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RCL 50371 / AC

Colegiado desta Suprema Corte, posto que segrega a parte da prática dos atos necessários a sua defesa, ferindo o devido processo legal, nos aspectos do contraditório e da ampla defesa”.

Apontam que a matéria dos autos subjacentes foi apreciada no ARE 1160361. Alegam, ainda, descumprimento do art. 50 do Código Civil e dos arts. 133 a 137 do Código de Processo Civil, bem como afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa.

Requerem a cassação da “decisão que determinou a inclusão das Reclamantes no Polo Passivo da demanda, por meio de IDPJ instaurado de ofício em fase executória, ou seja, sem que tenha ocorrido a participação da empresa na fase cognitiva dos processos”.

2. Deixo tanto de determinar a citação da parte beneficiária do ato judicial reclamado quanto de solicitar informações à autoridade reclamada, em decorrência da inviabilidade da reclamação. Igualmente, dispenso a manifestação do Procurador-Geral da República, em razão do caráter repetitivo do litígio.

É o relatório.

Decido.

1. A reclamação prevista nos arts. 102, I, l, e 103-A, § 3º, ambos da Constituição Federal, é cabível nos casos de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal, desobediência à súmula vinculante, ou descumprimento de autoridade de decisão proferida no exercício de controle abstrato de constitucionalidade ou em controle difuso, desde que, neste último caso, se cuide da mesma relação jurídica e das mesmas partes.

2. A aferição da presença dos pressupostos que autorizam seu manejo deve ser feita com devido rigor técnico ( Rcl 6.735-AgR/SP, Rel. Min. Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe 10.9.2010), não cabendo o alargamento de suas hipóteses de cabimento por obra de hermenêutica indevidamente ampliativa , sob pena de desvirtuamento da vocação dada pelo constituinte ao importante instituto da reclamação constitucional.

3. Consoante relatado, os reclamantes pretendem preservar a autoridade da decisão exarada no ARE 1.160.361, processo de índole

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RCL 50371 / AC

subjetiva do qual não figuraram como parte.

4. Sublinho que a jurisprudência do Plenário deste Supremo Tribunal Federal firmou-se no sentido do não cabimento da reclamação quando invocado como paradigma de controle decisório julgado sem efeito vinculante , o qual não pode ser estendido a terceiros alheios à relação jurídica processual.

5. Vale dizer, o julgado invocado como paradigma na presente reclamação não estende sua eficácia às partes reclamantes, uma vez que não figuraram nele como sujeitos processuais. Nesse sentido, colho precedentes (grifei):

Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NA RECLAMAÇÃO. DECISÃO AGRAVADA EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA SUPREMA CORTE QUE ORIENTA A MATÉRIA. PEDIDO QUE NÃO SE ENQUADRA EM NENHUMA DAS HIPÓTESES DE CABIMENTO DE RECLAMAÇÃO PREVISTAS NO ART. 102, I, l, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGADA AFRONTA AO QUE DECIDIDO NO MANDADO DE SEGURANÇA 37.165/DF. DECISÃO DESPROVIDA DE EFICÁCIA VINCULANTE E EFEITOS ERGA OMNES. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I – A decisão ora atacada não merece reforma ou qualquer correção, pois os seus fundamentos harmonizam-se estritamente com a jurisprudência desta Suprema Corte que orienta a matéria. A análise da reclamação foi exauriente, respeitados os estreitos limites deste meio processual, como se pode verificar do documento eletrônico correspondente. II – O pedido formulado não se enquadra em nenhuma das hipóteses de cabimento de reclamação previstas no art. 102, I, l, da Constituição Federal, seja para preservar a competência desta Suprema Corte, seja para garantir a autoridade de suas decisões e súmulas vinculantes. III – Esta Suprema Corte assentou a impossibilidade da propositura de reclamação que tenha por objetivo assegurar o cumprimento de decisões desprovidas de eficácia vinculante e efeitos erga omnes. IV – Agravo regimental a que se nega provimento. (Rcl

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46.232 AgR, Rel. Min. Ricardo Lexandowski, 2ª Turma, DJe 11.5.2021)

“RECLAMAÇÃO PARADIGMA PROCESSO SUBJETIVO TERCEIRO. A reclamação não é o meio hábil a chegar-se a verdadeira uniformização de jurisprudência, evocando-se, como paradigma, pronunciamento alusivo a processo subjetivo a envolver partes diversas, desprovido de eficácia vinculante. ” ( Rcl 14.473-AgR/RO, Rel. Min. Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe 20.02.2017)

“AGRAVO INTERNO EM RECLAMAÇÃO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. REGIME DA LEI 8.038/90 E CPC/73. PEDIDO FUNDADO EM JURISPRUDÊNCIA NÃO VINCULANTE E DIREITO OBJETIVO. 1. A reclamação dirigida a esta Corte só é cabível quando se sustenta usurpação de sua competência, ofensa à autoridade de suas decisões ou contrariedade a súmula vinculante ( CRFB/1988, arts. 102, I, l, e 103-A, § 3º). No segundo caso, exige-se que o pronunciamento tenha efeito vinculante ou, ao menos, que tenha sido proferido em processo subjetivo no qual o reclamante figurou como parte, hipóteses não configuradas nos autos. Também não se admite alegação de afronta a direito objetivo.2. Agravo interno desprovido.” ( Rcl 14.745-AgR/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, Primeira Turma, DJe 10.02.2017)

6. Por fim, registro que a jurisprudência desta Casa se consolidou no sentido de que a reclamação não consubstancia sucedâneo de recurso, razão pela qual inviável o seu manejo como atalho processual. Nesse sentido:

“AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. ALEGAÇÃO DE AFRONTA À DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. AÇÃO DE IMPROBIDADE. PRESCRITIBILIDADE DA PRETENSÃO DE RESSARCIMENTO AO ERÁRIO EM FACE DE AGENTES

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PÚBLICOS POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE ESGOTAMENTO DAS VIAS ORDINÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE DO USO DA RECLAMAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.

1. A reclamação não pode ser utilizada como um atalho processual destinado à submissão imediata do litígio ao exame direto desta Suprema Corte, não se caracterizando como sucedâneo recursal. Precedentes: Rcl 10.036-AgR, rel. Min. Joaquim Barbosa, Plenário, DJe 1º/2/2012; Rcl 4.381-AgR, rel. Min. Celso de Mello, Plenário, DJe 5/8/2011.

2. Agravo interno desprovido.”

( Rcl 24.639-AgR, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 09.6.2017)

7. Ante o exposto , forte no art. 21, § 1º, do RISTF, nego seguimento à presente reclamação.

Publique-se.

Brasília, 11 de novembro de 2021.

Ministra Rosa Weber

Relatora

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